Consciência Negra

Fui retirado da minha terra,

Preso num porão de navio.

Despejado num lugar desconhecido,

Com correntes nos pés.

 

Trabalhei debaixo de chicotadas,

Dezesseis horas por dia,

Sem intervalos ou pagamento,

Apenas com o direito de ficar calado.

 

Ajudei a construir essa nação,

Trouxe comigo, minha cultura.

Capoeira, música, gastronomia,

Religião, danças e costumes.

 

Como era diferente

Nunca fui reconhecido,

Sempre fui desprezado

E obrigado a ser inferior.

 

Me disseram que seria livre,

Mas só me deram

Trabalhos braçais e nenhuma educação,

Obrigado a morar nos morros e servir o patrão.

 

Nunca fui tratado como igual,

Sempre inferior

Nunca do bem,

Sempre do mal.

 

Meu cabelo é duro,

Minha pele escura,

Minhas mãos são calejadas,

Minha história não é contada.

 

Minha religião é considerada do capeta,

Minha música de baixa qualidade.

Não posso ser médico, nem advogado,

Apenas esportista ou favelado.

 

Se passo na rua descuidado,

Logo gritam: “Pega Ladrão”.

Mas queriam dizer:

“Mata o negão”.

 

Me deram 1 dia no ano para me representar,

Os outros 364 para me esquecer.

Eu só quero dizer: Eu existo brancaiada,

SOU NEGÃO, NÃO DEVO NADA PRA VOCÊ.

Quem é ela?

Ela é poesia
Ela fala com um olhar,
Ela é fantasia
Ela arranca sorrisos sem precisar falar.

Ela é mistério,
Ela é ternura,
Ela odeia o tédio,
Ela chora amarguras.

Ela traz uma vida sofrida
Ela superou barreiras,
Ela vive a vida
Ela não se limita a fronteiras.
.
Ela ama e se encanta,
Ela se entrega de corpo e alma,
Ela me encanta
Ela me acalma.

Ela é rosa
Ela tem seus espinhos,
Ela é formosa
Ela usa seus charminhos.

Ela consegue o que quer
Ela faz sol brilhar,
Ela é linda como é,
Ela ama o mar.

Ela me conquista,
Ela me cativou
Ela domina,
Ela me viciou.

Ela me torna feliz
Ela me faz bem,
Ela me fez cicatriz
Ela me fez homem.

Ela é muleca
Ela é mulher,
Ela é boneca
Ela é tudo que quiser.

Do Outro Lado

Desde a infância fui um personagem de mim mesmo. Cresci na ilusão que o mundo era um enorme palco, e que as pessoas eram minha platéia, ora a me aplaudir, mas em maioria do tempo a me vaiar. Isso gerou em meus pensamentos uma necessidade de auto afirmação, comecei a construir em minha volta, um muro de qualidades que julguei necessárias para fazer aquela platéia me admirar.
Estava fadado a buscar ser sempre o melhor, mas sem saber onde queria chegar. Leitura, música, xadrez, matemática, desenho, pintura, comunicação, política, teatro. Caminhei pelos mais diferentes contextos, ganhei conhecimento, porém, nunca estive contente. Continuava a construir o meu muro cheio de incertezas, soberba e lamentações.
A cada tijolo colocado, ganhava inimigos, fugia da realidade e procurava cada vez mais agradar a platéia a todo tempo. Era um desperdício, a plateia já não me queria mais, e o muro já era quase uma muralha intransponível.
Intransponível? Era ilusão. Aquela muralha tinha alguns pilares enfraquecidos, e um amor os achou. O muro começava a ceder, finalmente eu estava saindo do meu casulo e vendo o mundo de outra maneira. Encontrei então, do outro lado do muro, Deus, alegria, conforto, e o amor.
Naquele momento esqueci a platéia, e sai do palco, aventurei-me em lugares desconhecidos, desconstruí pensamentos vazios, deixei de viver ilusões.
Só que o muro começou a ser construído desde muito cedo, e era difícil derrubar uma construção tão antiga. Foi quando tropecei num tijolo, e comecei a reconstruir o meu mundo do eu sozinho.
Voltei para o palco, e platéia ficou fervorosa, como um ator decadente, fui dominado pelo álcool, drogas, e pelo vício dos aplausos. Deixei de lado o amor, Deus, e consequentemente voltei a conviver com a dúvida e o medo.
Quando o amor não conseguiu mais me enxergar, resolveu partir, o muro era muito alto para ele escalar. Do outro lado, eu gritava, berrava por socorro, num desespero tão profundo que a plateia considerava uma das minhas melhores atuações. Eles não viam que aquele sofrimento não era uma atuação de um drama, era de verdade, era eu, destroçado.
Quando parecia que estava tudo perdido, Deus resolveu intervir. Afinal, ele acompanhou essa história de perto, não seria justo eu não ter uma segunda chance. Logo, tirou alguns tijolos, e eu comecei a ver a luz do sol, a me reerguer e retirar tijolos com minhas próprias mãos.
Quando o muro já não era tão alto, o amor voltou a me ver, e começou a trabalhar comigo na retirada dos tijolos. Estamos juntos outra vez, tentando desconstruir esse muro. Não é uma tarefa fácil, é um esforço diário que eu tenho que fazer, para ter de novo o amor por completo, sem receios de que eu comece a colocar tijolos outra vez, sem o medo que eu suba no palco e queira agradar a plateia.
O muro está baixo, mas ainda com muitos tijolos, eu decidi não viver mais ilusões, quero ser apenas eu, ou melhor, eu e meu amor.

Escrevendo o Amor.

Arrumando o guarda roupas achei um velho caderno, onde costumava fazer diversas anotações, assuntos da faculdade, alguns textos, desenhos, lembretes, entre outras coisas. Enquanto folheava minha mente voltava ao passado, e aquelas lembranças mostravam o quanto eu mudei com o passar dos anos.
Já no fim do caderno, encontrei uma página cheia de números e fórmulas, mas naquele embaraço tinha uma pequeno lembrete que dizia:

“Hoje na faculdade uma garota estava dançando em frente a cantina, parecia não se preocupar com a presença das outras pessoas, fiquei observando e tentando imaginar que música tocava naqueles fones de ouvido. Preciso conhecê-la.” 23/02/2012

Durante essa leitura algumas lágrimas chegaram a cair, foi depois daquele momento, que minha vida finalmente teria sentido. Aquela garota de tênis de skatista, calça jeans clara, farda do curso de letras, cabelos encaracolados, óculos, e um sorriso apaixonante, roubou meu coração com aquela atitude espontânea e simplória. Desde então nossas vidas estariam entrelaçadas e nossos destinos foram mudados. Nos apaixonamos, corremos até o altar, era intenso, incontrolável. Fazíamos tudo sem pensar, fomos felizes, espalhamos nossa felicidade por onde passamos.
Ao voltar dos pensamentos notei que as próximas páginas do caderno só falavam dela, tomou conta dele e do meu coração até o final da última linha,  onde estava escrito:

“Hoje preparei para ela um café da manhã na cama, com uma rosa que tirei do quintal.” 25/06/2012.

Ali acabavam as anotações do caderno, mas não a nossa história. Essa perdura até hoje, e sem explicações, o amor também.
No meio desta jornada, o amor se abalou, nos afastamos, nos machucamos, mas o amor resistiu, e o tempo trabalhou para nos entrelaçar outra vez.
Resolvi então, comprar outro caderno, onde escreverei apenas nosso amor, nossa história, sem deixar acabar, quando as páginas estiverem terminando, comprarei outro e outro, e assim, até escrever que estamos velhinhos e ainda nos amando.
A vida é como um caderno, sempre podemos recomeçar a escrever nossa história, e quando as suas linhas estiverem por terminar, seja humilde, compre mais um caderno e continue a escrever.
Quem é ela? A pessoa mais especial que pode existir nesse mundo. Uma garota corajosa, que enfrenta duras batalhas e se supera a cada dia. Seu sorriso é uma flecha, que inapelavelmente perfura meu coração todos os dias, e me faz sentir, o homem mais sortudo do planeta.
Quem sou eu? Apenas um homem que aprendeu na dor, o quanto vale um grande amor.

Dom Quixote

Numa certa cidadezinha
Vivia um jovem magrecela,
Sonhador como uma criança
Por seus livros se encantou.
Se encantou até demais,
Das histórias de cavalaria
Não se livraria mais.
Deixou seus video games,
Esqueceu de seus amigos,
Logo esqueceu os perigos
Decidiu viver o que lia.
Fez uma espada com espeto de churrasco, da vassoura fez um cavalo,
Rossinante era o nome,
Da vassoura galopante.
De uma tampa de panela
Fez seu escudo inquebrável,
Um capacete velho de motoqueiro era seu elmo.
Com roupas de couro sujas e surradas fez uma armadura nada confortável.
Era uma cena diferente,
Hilária, bastante incoerente
Não se demorou,
Como seus heróis de cavalaria para sua primeira aventura se jogou.
Saiu pelo meio da rua
Montado no cabo de vassoura,
Quem via o rapaz
Já sabia que se tratava de uma pessoa nada normal.
Em sua cabeça ele cavalgava em seu lindo cavalo.
Logo chegou a um Castelo
era a escola onde estudava.
Invadio, e foi motivo de risadas.
Seus colegas zombavam daquela figura medonha
Mas ele só pensava, que as pessoas se alegraram com sua chegada.
Não demorou-se muito
Para sua primeira batalha,
Alguns valentões incomodavam uma donzela desamparada.
Decidiu então agir,
Salvar a linda donzela ele foi
Gritou bem alto: – Deixem essa linda donzela em paz seus gigantes.
Todos olharam e começaram a deboxar de sua cara.
Aquilo foi o fim de sua paciência.
Pegou seu espeto de churrasco e espetou um dos inimigos.
Logo, levou um soco na cabeça, mas não sentiu dor por que seu elmo o protegeu.
O outro valentão deu dois chutes em sua barriga, mas eram tantas as roupas de couro que ele nem o sentia.
Amedrontados os valentões fugiram.
A donzela agradecia o abraçou e agradeceu.
Naquele momento ele sabia
que, em todas as batalhas que ganhasse, para ela ofereceria.
Ali nasceu a princesa de seu coração, Dulcinéia, a mais bela de toda a região.
Assistindo aquela luta,
Estava um gordinho comedor.
Virou fã do magrecela
E logo se ajoelhou, lhe pediu para ser servo
E com honras Dom o aceitou.
Agora mais aventuras chegariam, e eles estavam preparados.
A dupla mais querida da literatura
Mais uma vez reunida estava.
Essa é outra caricatura
Do herói de todos nós.
Um louco do bem,
Que acredita sempre na verdade e nas pessoas,
Que em suas trapalhadas
Nos ensina e nos encanta,
Obrigado por existirem
Dom Quixote e Sancho Pança.

 

 

Peça produzida para projeto literário do Colégio Inês Mendes – Barra de S. Miguel – Al.

Carta aos amigos eleitores

Eu não queria escrever isso, porém, seria um imensa irresponsabilidade me abster diante dessa fatídica atitude de desespero por parte de você, eleitor de Bolsonaro.
Eu realmente me decepciono muito quando vejo alguém como você, que gosto, admiro e sei que é inteligente, dizer que pretende votar em Jair Messias Bolsonaro para presidente do Brasil.
Isso é tão incômodo que tentei por vezes não contrapor a sua opinião, para justamente não entrar em conflito. Mas existe algo de errado nisso.
Por isso, eu tentei enxergar nesse candidato motivos para votar nele também, afinal de contas, eu poderia estar errado. Para minha surpresa (nem tanta assim), não achei motivo algum.
Não vou elencar aqui seus defeitos e seu baixo nível intelectual, nem sua falta de propostas, pois, são gritantes. Vou apenas dizer uma verdade difícil de aceitar, mas que precisa ser dita. Vamos lá.
Quem vota em Bolsonaro é identificado com ele, não pelos seus anseios, mas sim pelas suas atitudes. São pessoas como ele, que tem escondidos dentro de si um pouco de preconceito, um pouco de homofobia,  um pouco de machismo,  um pouco de ignorância,  um pouco de intolerância. Ou pior, você pode ter muito de cada coisa, e não se dar conta que sim, está presente em você.
Você se identifica com ele por que ele é um reflexo vivo de tudo de ruim que existe dentro desses milhares de brasileiros e brasileiras que não abriram suas mentes para amar ao próximo como a si mesmo. Que usam a religião e os “bons costumes” para impor a sua opinião e diretrizes julgando de forma veemente quem pensa diferente. Pessoas que idolatram os EUA e não enxergam a beleza e qualidades de seu próprio país e de seus conterrâneos. Gente que não deixa o facebook para ter tempo de ler um livro, que não sabe interpretar um texto, e nesse momento da leitura já está me julgando como um socialista facista.
Não quero aqui pedir voto pra ninguém, mesmo tendo meu candidato, quero apenas pedir a você meu nobre colega, que não cometa o mesmo erro que cometeram os alemães após a primeira grande guerra, que em nome da religião, dos bons costumes e da pátria, se deixaram enganar por um “homem de bem” e o resultado nós conhecemos.
Eu e você somos pessoas iguais, mas nesse momento, sinto informar que você está me dando medo, apoiando alguém que com toda a certeza deseja oprimir as minorias ao qual eu estou inserido.
Se você se ofendeu com a minha opinião é sinal que realmente eu estou certo, e o seu voto vai destruir de vez essa nação.

Bisonho apanhou com sabonete

Soldado Bisonho

Era destaque no quartel,

Para ter regalias

Puxava o saco do Coronel.

 

Esperto ele era,

Vivia na mordomia,

Enquanto para os outros

Só trabalho havia.

 

Ser puxa saco

Tem suas vantagens,

Não acordava cedo

Nem pagava suas passagens.

 

Não capinava mato,

Nem cozinhava feijão,

Era diferente o trato

Por ser um soldado babão.

 

Os outros soldados

Logo entenderam,

E com o Bisonho safado

Se enfureceram.

 

– Ele não pega pesado

Só lava as botas do coronel,

Enquanto comemos ensopado

Ele come pizza e pastel.

 

Começou uma revolução,

Bisonho não esperava

O que seria de fato,

O seu próximo plantão.

 

Todos levaram seus sabonetes,

Os lençóis embrulhariam os presentes,

Pancadas fortes esperavam

O soldado incompetente.

 

De nada desconfiava

O pobre Bisonho,

Em sua cama adormeceu

Esperando por seus sonhos.

 

Enquanto dormia

Espancado ele foi,

Sabonete no lençol,

Levou uma pisa pra dois.

 

Recebeu pancadas

Em todo seu corpo,

Tinha hematomas

Da bunda ao pescoço.

 

Em sua cama

Um bilhete dizia:

Pare de puxar o saco do coronel

Ou apanhe todo dia!

 

Ao encontrar seus amigos

De fora do quartel, explicou,

Os motivos de tanto machucão

Que ele levou.

 

– Na hora de apresentar armas

Um sopapo do rifle levei,

Por não ter cuidado

Meus lábios machuquei.

 

E os machucados no corpo?

Perguntaram preocupados,

Batalhas no campo

Foi à explicação do soldado.

 

Para o quartel ele voltou

Temendo apanhar,

As botas do Coronel

Nunca mais foi limpar.

A genialidade do jovem brasileiro.

Bom dia galera do meu face.

Vocês sabem que não curto textão, mas estou postando esse pra dizer umas verdades pra esses comunistas que ficam falando mal de nós, a juventude brasileira. Chegou a hora de mostrar nosso valor, ou eles estão pensando que somos ignorantes? Quem é essa gente na fila do pão?

Tem gente que só porque faz faculdade se acha mais inteligente, não sabem que pra ter sucesso na vida não precisamos de ensino superior. Eu mesma estou na luta pra ser blogueira, já tenho ai mais de 15 mil seguidor, e só subindo.

Jovens de todo o Brasil, esse texto é para ajudar vocês a encontrar o melhor caminho, deixe de lado essas coisa antigas, do passado e vem viver o novo.

Livros? Para que eu quero um livro? Tudo que a gente procurar tem no youtube e no google, e ainda mais é mais divertido  e saudável. Eu mesmo odeio esses livros cheio de poeira que só serve pra espirrar. Aff…

Além disso leitura nunca fez niguém famoso, Quem você acha que é mais famoso, Felipe Neto ou Machado de Assis?  Esse tal de Machado (nome escroto) nem canal no youtube tem. O pior de tudo é minha mãe, dizendo que ler é bom. Eu disse a ela que eu não leio textão de Facebook que eu sei quem escreveu, imagine se vou perder o tempo que posso tá postando no insta pra ler livro desses esquerdistas, facistas, comunista.

Vamos ser mais né gente! Ontem assisti o Danilo Gentile e ele levou um cara que toca piano. O programa até que era bonzinho, mas depois desse vou deixar de ver, fica levando tudo que não presta. Tanta coisa boa na música ai pra levar, ele fica convidando essa gente. Danilo EU QUERO VER A ANITA!!!

É tempo de escutar música nova, essas música de velho já passou, ainda mais música clássica. Alguém conhece Mozart ou Bach? Eu mesmo não, nem quero, é só uma merda de piano num negócio que nem dá pra dançar. Eu gosto é de funk, do Catra, da Anita, da Jojô, do Kevinho.

Nós jovens vamos continuar nossa luta pelo nosso jeito de ser, não vamos mais seguir a vida aprendendo coisas que não serve, somos da era da internet, das novidades. Somos a geração Youtube.

Valeu pela pasciência mas tinha que fazer esse textão.

 

(Ingryd, 19 anos. Personagem fictícia)

* O não uso do padrão culto da língua portuguesa foi proposital.

Soldado Bizonho

Dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motoriza do Exercito Brasileiro, uma figura curiosa fazia sua história em defesa da nação. Tratava-se do soldado Palmeira, ou como era conhecido por seus amigos próximos, Jackson Bisonho. Bisonho é uma gíria usada quando a pessoa é atrapalhada, obnubilado, desorganizado, desconexo, confuso, atabalhoado, desordenado, trapalhão, caótico, desligado, abarbeado, vacilante, e todos os outros sinônimos que possam ser usados.

Nossa história começa numa tarde de sexta feira. Como de costume, os fins de semana dos cata osso (Ktaosso) eram sempre voltados a intensas disputas de vôlei no sítio.  Eram jogos incríveis, de baixa qualidade técnica e muitas bizarrices e risadas. Após mais um fim de jogo, os amigos decidiram que na manhã do sábado, iriam fazer algo diferente, e logo veio à ideia de uma pescaria nos arrecifes da bela e maravilhosa cidade de Barra de São Miguel, local das peripécias dessa trupe.

Na manhã do sábado, todos já estavam na praia fazendo os últimos ajustes, menos o nosso querido Bisonho. Todos acharam estranha a falta do companheiro, esperaram um pouco, mas como não havia sinais de que ele iria aparecer, decidiram então ir ao destino. A caminhada sobre as pedras que se criam no mar já estava na metade, quando ouviram os gritos do soldado que corria desesperadamente pela praia, em busca de alcançar os amigos.

Ao chegarem ao local da pescaria, agora todos juntos, cada um pegou sua arma de pesca e foi procurar o seu local para assassinar alguns peixinhos. Roberto e Robertinho, pai e filho estavam com suas varas e caiaques pegando até peixes que não eram próprios pra consumo, predadores inapeláveis. Lucas, Dayrone e nosso querido soldado estavam com linha de mão, a espera de um bom peixe, e Tecinho, foi com seu equipamento de mergulho para mostrar sua versatilidade. Antes de começarem a pescaria, o soldado Jackson avisou aos colegas:

– Cuidado. Aqui é fácil de escorregar, e se cair nessas pedras machuca muito. Façam como eu que já sou experiente.

Quase não terminou sua frase, o soldado foi vítima de seu aviso, escorregou, e caiu de forma patética, de costas nas pedras afiadas, deixando belas cicatrizes, e fazendo seus amigos darem muita risada (Ninguém ousaria imitá-lo naquela altura). Porém, para o exemplar soldado, não bastava uma humilhação, o melhor ainda estava por vir…

Após todos se recuperarem das gargalhadas a pescaria voltou ao normal, o tempo passava e ninguém pegava absolutamente nada, só os Robertos, que continuavam a matar as “negas” como são conhecidos os peixes de pedra que tem um sabor horrível.  Num momento a linha de Jackson foi puxada, logo, a esperança do grande peixe ser fisgado chegou ao soldado, ele estava empolgado e começou a chamar os companheiros para ver sua conquista. Puxava a linha de forma cuidadosa para não perder a presa, mas, para surpresa de todos, e desanimo do soldado, era apenas Tecinho puxando sua linha sem querer enquanto mergulhava.

Com raiva do companheiro, o soldado se levantou para reclamar, quando, como um patinador deslizando sobre o gelo, ele escorregou, e patinou durante alguns segundos, até ir caindo violentamente sobre as pedras e ir embolando para o mar e ficar se debatendo, parecendo um peixe fora da água, e com os olhos arregalados gritava:

– Eu tenho epilepsia. Eu tenho epilepsia. Eu tenho epilepsia.

Seus amigos não sabiam o que fazer eles estavam engasgados de tanto rir, só Lucas foi capaz de ajudar o Bisonho, mesmo rindo incontroladamente da situação.

Depois de alguns minutos, estava tudo bem com nosso querido soldado, a pescaria terminou e retornaram com muitas risadas do que tinha acontecido. O Soldado teve que voltar ao quartel com vários arranhões em suas costas e muita história pra contar sobre a pescaria em que descobriu ser epilético. Até hoje ele pensa ser epilético, mas nada foi comprovado pelos médicos.

Essa é uma das várias histórias do querido soldado Palmeira, o bom e velho Jackson Bisonho.

Negros no Brasil

Você pode até não enteder e negar o racismo e a influência dos três séculos em que os negros foram escravizados no país. Porém, as estatísticas mostram o quanto a população negra ainda é afetada por esses fatores.

Observe abaixo uma pequena lista, que mostra o abismo social entre negros e brancos no Brasil.

  • Atualmente, a cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras.
  • O Brasil tem a maior população carcerária do mundo, 622 mil presos. 61,6% são negros.
  • O desemprego entre negros é de 63,7%, ou seja, em média, a cada 100 negros apenas 36 estão no mercado de trabalho. (Entre os brancos, a taxa de desocupação é de 9,9%).
  • Em 2017 o rendimento médio dos negros se mostrou inferior ao dos brancos, sendo 1,5 mil contra 2,7 mil reais.
  • 67% dos negros no Brasil estão incluídos na parcela dos que recebem até 1,5 salário mínimo (cerca de R$1400,00). Entre os brancos, o índice fica em 45%.
  • 80% das domésticas no país são negras.
  • Negros ocupam apenas 17,4% da população mais rica do país.
  • Os negros representam 63% dos mais pobres e 69% dos miseráveis.
  • A taxa de analfabetismo é duas vezes maior entre os negros. Enquanto a taxa de analfabetismo é de 5,2% entre os brancos, chega a 11,5% entre a população negra.
  • Negros são minorias absolutas entre concluintes do ensino superior, apenas 6,13%. Na carreira de Medicina (em média o curso mais caro do país) apenas 2,66% dos formandos são negros.
  • Morrem 73% mais negros do que brancos no Brasil.

Você entende agora?

 

Fontes: ONU, IBGE, Ong Oxform (Londres), IPEA, PNAD, INFOPEN, Carta Capital.