Soldado Bizonho

Dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motoriza do Exercito Brasileiro, uma figura curiosa fazia sua história em defesa da nação. Tratava-se do soldado Palmeira, ou como era conhecido por seus amigos próximos, Jackson Bisonho. Bisonho é uma gíria usada quando a pessoa é atrapalhada, obnubilado, desorganizado, desconexo, confuso, atabalhoado, desordenado, trapalhão, caótico, desligado, abarbeado, vacilante, e todos os outros sinônimos que possam ser usados.

Nossa história começa numa tarde de sexta feira. Como de costume, os fins de semana dos cata osso (Ktaosso) eram sempre voltados a intensas disputas de vôlei no sítio.  Eram jogos incríveis, de baixa qualidade técnica e muitas bizarrices e risadas. Após mais um fim de jogo, os amigos decidiram que na manhã do sábado, iriam fazer algo diferente, e logo veio à ideia de uma pescaria nos arrecifes da bela e maravilhosa cidade de Barra de São Miguel, local das peripécias dessa trupe.

Na manhã do sábado, todos já estavam na praia fazendo os últimos ajustes, menos o nosso querido Bisonho. Todos acharam estranha a falta do companheiro, esperaram um pouco, mas como não havia sinais de que ele iria aparecer, decidiram então ir ao destino. A caminhada sobre as pedras que se criam no mar já estava na metade, quando ouviram os gritos do soldado que corria desesperadamente pela praia, em busca de alcançar os amigos.

Ao chegarem ao local da pescaria, agora todos juntos, cada um pegou sua arma de pesca e foi procurar o seu local para assassinar alguns peixinhos. Roberto e Robertinho, pai e filho estavam com suas varas e caiaques pegando até peixes que não eram próprios pra consumo, predadores inapeláveis. Lucas, Dayrone e nosso querido soldado estavam com linha de mão, a espera de um bom peixe, e Tecinho, foi com seu equipamento de mergulho para mostrar sua versatilidade. Antes de começarem a pescaria, o soldado Jackson avisou aos colegas:

– Cuidado. Aqui é fácil de escorregar, e se cair nessas pedras machuca muito. Façam como eu que já sou experiente.

Quase não terminou sua frase, o soldado foi vítima de seu aviso, escorregou, e caiu de forma patética, de costas nas pedras afiadas, deixando belas cicatrizes, e fazendo seus amigos darem muita risada (Ninguém ousaria imitá-lo naquela altura). Porém, para o exemplar soldado, não bastava uma humilhação, o melhor ainda estava por vir…

Após todos se recuperarem das gargalhadas a pescaria voltou ao normal, o tempo passava e ninguém pegava absolutamente nada, só os Robertos, que continuavam a matar as “negas” como são conhecidos os peixes de pedra que tem um sabor horrível.  Num momento a linha de Jackson foi puxada, logo, a esperança do grande peixe ser fisgado chegou ao soldado, ele estava empolgado e começou a chamar os companheiros para ver sua conquista. Puxava a linha de forma cuidadosa para não perder a presa, mas, para surpresa de todos, e desanimo do soldado, era apenas Tecinho puxando sua linha sem querer enquanto mergulhava.

Com raiva do companheiro, o soldado se levantou para reclamar, quando, como um patinador deslizando sobre o gelo, ele escorregou, e patinou durante alguns segundos, até ir caindo violentamente sobre as pedras e ir embolando para o mar e ficar se debatendo, parecendo um peixe fora da água, e com os olhos arregalados gritava:

– Eu tenho epilepsia. Eu tenho epilepsia. Eu tenho epilepsia.

Seus amigos não sabiam o que fazer eles estavam engasgados de tanto rir, só Lucas foi capaz de ajudar o Bisonho, mesmo rindo incontroladamente da situação.

Depois de alguns minutos, estava tudo bem com nosso querido soldado, a pescaria terminou e retornaram com muitas risadas do que tinha acontecido. O Soldado teve que voltar ao quartel com vários arranhões em suas costas e muita história pra contar sobre a pescaria em que descobriu ser epilético. Até hoje ele pensa ser epilético, mas nada foi comprovado pelos médicos.

Essa é uma das várias histórias do querido soldado Palmeira, o bom e velho Jackson Bisonho.

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